Por que a cachaça envelhecida está substituindo o whisky?

Por que a cachaça envelhecida está substituindo o whisky

Porque a gente finalmente entendeu que cachaça bem feita não é versão barata de nada, é categoria própria.


O que está acontecendo nos bares de luxo de São Paulo é uma combinação de três coisas:


Primeiro, a madeira. Whisky quase sempre é carvalho americano ou europeu. A cachaça artesanal foi para outro caminho, amburana, bálsamo, jequitibá, ipê. A amburana por exemplo traz aquela nota de baunilha, canela, especiaria de inverno que o carvalho não entrega. Fica aveludada, complexa, ótima para tomar pura. É um perfil que o público de whisky já procura, só que com assinatura 100% brasileira.


Segundo, a classificação evoluiu muito. Hoje você tem a branca que vai bem em coquetel, a amarela ou ouro que já passou pelo menos um ano em barril, e as premium e extra premium que são 100% envelhecidas, 1 ano e 3 anos no mínimo. Isso arredonda o destilado, tira aquela agressividade e cria camada de sabor que rivaliza com um single malt.


E terceiro, contexto. O Brasil produziu mais de 292 milhões de litros em 2024, Minas e São Paulo liderando, e a qualidade disparou. Com o whisky importado cada vez mais caro, o bartender consegue entregar uma experiência mais rara, mais autoral e com história local por um custo melhor, tanto para degustação pura quanto para coquetéis tipo Rabo de Galo, que é o nosso Manhattan.


Lugares como o Terra Nova em Tremembé, com mais de 400 rótulos, e o Bar do Arnesto com aquela parede de mais de 500 garrafas, viraram laboratório disso. O cliente que antes pedia scotch hoje pede uma dose de ouro de amburana ou bálsamo para comparar.


Para quem já vive disso, como você, é o melhor momento. O consumidor não quer mais só caipirinha básica, ele quer provar terroir, madeira, tempo de barril. É onde a cachaça artesanal ganha de lavada.

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